Como perceber se há problemas auditivos numa criança?

10-10-2012 20:22

Diagnóstico precoce pode ajudar a garantir uma vida mais feliz

Da Redação 

        Em caso de deficiência auditiva, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais chances a criança terá de ter uma vida normal e feliz. Mas como saber se seu filho, ainda bebê, ouve direito? Há sinais que os pais podem notar no dia a dia, encaminhando a criança ao otorrinolaringologista (médico que cuida de ouvidos, nariz e garganta) para um diagnóstico correto.

    Tatiana Ottoni, fonoaudióloga especialista em audiologia, que trabalha para uma empresa de aparelhos auditivos, a Audibel, explica que bebês com problemas na audição geralmente não reagem a estímulos sonoros – não reagem ao barulho de uma porta que bate de repente por causa do vento, por exemplo. Um bebê que não balbucia também pode ser um sinal de problemas na audição. Outros começam a chorar por não perceberem a mãe por perto se ela não estiver no campo de visão, mesmo que ela esteja falando ou fazendo algum ruído.

    Em crianças maiores, a demora excessiva no desenvolvimento da linguagem e as trocas na fala também podem ser sinal de audição ruim, segundo Tatiana. “Os pais devem ficar muito atentos e, ao menor sinal de problema, procurar um otorrinolaringologista para fazer a audiometria, teste capaz de determinar se a criança tem algum problema auditivo”.

       É estimado que de cada mil crianças, três nascem com alguma deficiência auditiva. Mas a atenção não deve ser dirigida àquelas com algum fator de risco relacionado à deficiência, pois no Brasil, 50% dos casos são em crianças sem qualquer pré-disposição para problemas auditivos. Esses casos são de origem não-genética, causados por fatores pré-natais (como rubéola na mãe durante a gestação), peri-natais (insuficiência de oxigênio durante o parto) ou até pós-natais (caxumba, otites, meningite, sarampo, etc.), sendo que a maioria deles pode ser evitada com vacinas e tratamentos.

Teste da orelhinha

    Em 3 de agosto deste ano, foi publicada no Diário Oficial da União uma lei determinando que o exame de Emissões Otoacústicas Evocadas, popularmente chamado “teste da orelhinha”, que identifica problemas auditivos em recém-nascidos, seja feito gratuitamente em hospitais e maternidades – assim como já acontece com o “teste do pezinho”, usado para determinar a existência de algumas doenças. O procedimento é capaz de identificar até 90% das perdas auditivas que, se tratadas desde cedo, podem garantir uma vida normal – ou bem próxima disso – às crianças.

    O teste já consta da tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), mas ainda não está disponível em alguns hospitais e maternidades brasileiros. Com a nova lei, será fixado um prazo para que o teste esteja disponível em todas as instituições de saúde relacionadas – mas ainda não há uma data definida, segundo o Ministério da Saúde.

Alguns cuidados

    A fonoaudióloga também alerta que até a amamentação requer certos cuidados, e explica a quem não entendeu a relação: “Na orelha média há um canal chamado tuba auditiva, que liga os ouvidos à garganta, responsável por regular a pressão dos ouvidos. No bebê, a tuba ainda está em uma posição mais horizontal que no adulto. Portanto, se ele mamar deitado, o leite pode ir para o ouvido e causar infecções e dores, além de outros problemas.”

    Tatiana diz que o apoio dos pais e da família é muito importante para que o problema seja diagnosticado rapidamente. Não procurar ajuda no tempo certo pode causar problemas na formação da linguagem, bem como do desenvolvimento intelectual e emocional da criança, que podem comprometer sua vida toda. “São crianças que tendem a ficar isoladas e a ter mais dificuldade para se relacionar”, explica.

 

FONTE: https://www.arcauniversal.com/noticias/dicas/noticias/como-perceber-se-ha-problemas-auditivos-numa-crianca-2708.html